Poesias

CONTRASTES



CONTRASTES
Do movimento ritmado
de meu corpo,
perguntas fluem densas em meu ser.
Se apesar do pranto, sós,
aqui estamos...
Por que amamos?

Do sentimento, simples, presente,
que se infiltra,
e ninguém sabe como.
Se apesar do tempo e da idade
somos felicidade...
Por que choramos?

Com todos os defeitos de outrora,
e com tantas virtudes de agora.
Se somos fortes e aqui passamos
apesar da sorte...
Por que sonhamos?

Com vigor, o corpo rasga o corte,
e acalanta a metamorfose.
Se aqui vivemos apesar de sermos...
Por que morremos?

Moinhos...

Partindo ágil a criativa pena...
Encena a régia sorte fria da quimera
Deslizando suave vai e encontra a primavera
Ouvindo a lua entardecendo uma canção

O coração reflete a luz que abriga a ansiosa espera...
Revela ao dia o que a noite não revela
Entre os ventos e
moinhos da razão
George Arribas

Quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

QUERIA


Queria sonhar acordada
P'ra ver o tempo parar
Percorrer aquela estrada
Que eu nunca ousei andar

Queria ter o direito
Ao amor e ao carinho
Cortar amarras do peito
Ter seguido outro caminho

Ter força p'ra deitar fora
O que me causa amargura
E ver o romper d'aurora
Nas asas da tua ternura

Queria ver nascer o sol
Deitada no areal
Envolta no teu lençol
Provar assim o teu sal

E quem um dia me feriu
Eu queria tanto odiar
E até quem me pariu
Queria ter direito a amar

Queria sentir teu calor
Nos teus beijos navegar
Mas já não sei meu amor
Se tenho amor p'ra te dar.


ESTRADA DA VIDA


Estrada que á partida
Comandas por tradição
A minha história de vida
Meu sentir, meu coração

Nunca me deste a escolher
Se amor materno eu queria
Mas obrigaste-me a querer
Amargura a cada dia

Semeaste dentro de mim
Tanta, mas tanta amargura
Foi controverso enfim
Pois só cresceu a ternura

Feriste este meu sentir
Me atiraste á solidão
Mas dela consegui saír
E salvar meu coração

Deste-me rimas marcadas
Deste-me prosa em vão
Sem rima eu não sou nada
Em prosa sou solidão

E desta estrada da vida
Levarei para recordar
Ser mãe, a mais querida
A lembrança mais vivida,
Um doce amor e o mar.

FANTASIA DA VERDADE



Fantasiei a saudade
Mascarei-a de doçura
Depois vesti a maldade
Com lacinhos de ternura

Mascarei a solidão
E dei-lhe por companhia
Um belo de um coração
Que um poeta não queria

Á morte vesti-a de vida
Dei-lhe dias p'ra contar
E até dei à despedida
Uma chegada ao luar

Vesti então a ousadia
De sonhos que não são meus
Maquilhei a luz do dia
Com a luz dos olhos teus

Desfiz na água do mar
O mel, da tua doçura
Tomei banhos p'ra ficar
A transbordar de ternura

Quis mascarar-me por fim
E vi que na realidade
Estou mascarada de mim
Fantasia da verdade.

ACORDA-ME PARA A VIDA




Perdi a rima na tua procura
e, nas asas de um sonho lindo, vi-te delirante
na prosa de mim.

Desci o vale encantado do teu corpo
e nele semeei a minha ternura.
Plantei lírios de desejos
nos teus olhos, em ondas feitas loucura
e reguei-as com a seiva
da minha ousadia.

Rebentei o sonho
e extravasei as marés de mim.
Cortei as amarras do meu querer
e, para ti, incendiei o vale dos meus desejos.

Abri os meus braços
ao vazio deste meu sentir
e neles te recebi em extase e emoção.
Se acaso é verdade, adormece-me a alma.
Mas se é sonho, então amor, acorda-me para a vida.

COM A LUZ DO TEU CORAÇÃO



Com a luz do teu coração
Meu sentir iluminei
E com as pedras do chão
A saudade apedrejei

Fechei à chave a amargura
A cadeado, minha dor
Fiz um berço prá ternura
E um ninho pró amor

A químico então passei
O desenho do teu ardor
E dele então roubei
Muito carinho e amor

Em peso pró alto mar
Carreguei a solidão
E bem à luz do luar
Abandonei-a então

Lá deixei horas sombrias
Juntinho com a solidão
E agora guarneço os dias
A construir alegrias
Com a luz do teu coração.

 

A Mulher e a Lua


"A Mulher e a Luadão luz e vidaàs noites escuras,luminosidade e magiaao coração do Poetaque retribui humildeem forma de Poesia"

Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010


O amor é um lugar estranho

[Nina Lund]




Confesso que deste livro já não me vêm à memória nem título nem autor. Mas recordo-me bem da história de amor que se desenvolvia numa intensidade por vezes cortante. E entre sentidas palavras de amor acompanhadas de gestos de carinho e querer, dos corpos unidos pela paixão e pelo desejo, havia risos e também lágrimas. E ausências difíceis de suportar. Apesar de tudo, e talvez por esse mesmo motivo recorde aqui uma obra já distante, por cada acontecimento que levou a que um dia a ilusão terminasse sem que tivesse morrido nos dois amantes, senti sempre que o autor proclamava a inocência do ser humano quando apanhado por um sentimento voraz que não se planeia mas ao qual se sucumbe. Também já não lembro muito bem em que condições aquela relação apaixonada terminou. Mas na literatura como na vida, creio que a mulher (neste caso a mulher) trocou a paixão louca e avassaladora por uma vida mais lúcida e realista. Enfim, uma obra que no seu final apenas faz o relato de mais um combate perdido pelo amor.


Crónicas de amor e ódio


[A modelo fotográfico Iga A. - Gosto de a ver trabalhar]



Tenho pouco tempo para me deixar ficar em puro estado de indolência. Estes raros mas muito agradáveis momentos de inércia normalmente dão-se entre as onze, onze e picos da noite e prolongam-se até por volta da uma, uma e trinta da manhã. Mantenho convicta e orgulhosamente a televisão desligada a não ser que a modelo fotográfico Iga A. se apresente ao serviço num qualquer desses canais por cabo. Por via disso, é nas páginas da Internet que a minha vigilância se vai perdendo numa sonolência que me leva à cama e ao dia seguinte num upgrade de força e motivação que me faz encarar a vida com um renovado sorriso de esperança na espécie humana, na preservação da flora, na pujante vida animal, num Benfica novamente dominador ou até em ti mulher bonita que me lês algures em Mountain View, Califórnia, e inundas os gráficos do ‘Sitemeter’ aqui da casa. E nas várias leituras que faço, choca-me como alguns homens e mulheres, sobretudo elas, se entretêm a destruir a gloriosa memória de amores que se desvaneceram mas que num tempo definido das suas vidas os fizeram rejubilar, sonhar, viver. O amor não o merece por muito que as pessoas mudem. E um dia haverá em que todos iremos olhar para os dias então longínquos em que viajámos nos braços da paixão para constatarmos que valeu a pena. E é bom que celebremos a alegria mesmo que agora, como eu dizia, se perceba que para alguns a tristeza ande tão próxima da raiva.


Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010


Da vida


[«Storytime», ilustração de George Barr]



Nos contos de fadas não há lugar para surpresas desagradáveis e tudo acontece ordenadamente até ao também harmonioso final. De certo modo, se a nossa vida decorresse como nas histórias de infância teríamos a felicidade garantida. Mas como a perfeição não existe, essa seria uma felicidade cozinhada em lume brando onde não há lugar para a ansiedade pelo tempo que se espera, para o desaire ou para a conquista, para o ardor, para a paixão. Assim sendo, deixemos as fadas no seu mundo e aceitemos as vibrações que a vida nos transmite mesmo que por vezes tenhamos que rebobinar as nossas emoções e obrigar-nos a que tudo volte ao seu início.


Depressão


Outono em plena primavera.Inverno em pleno verão.Tristeza em meio à diversão.
Estranhos dias de estranha espera.Nada vem, nada muda,
tudo é noite e a noite é preta.
Assim passam os momentos
tornados séculos em cada dor.
E a dor é funda, e a dor não cala,
e o peito parece brasa
a arder em fogo cada vez mais lento,
cada vez mais forte.
A vida é inútil em seus detalhes,
pois o ser navega nas esferas que giram além do próprio mundo.
Solidão total, solidão fria, fria,
envolve a cada pulsar
o velho coração cansado.
Misturam-se revolta e dor
e a dor cada vez mais funda.
Abismos, abismos em fossas
cada vez, cada vez mais negras.
Não há sentido, não há caminhos,
tudo em círculos a girar continua e sempre e sempre e sempre
a puxar ao centro, ao nada, à dor.
Assim passam os momentos
em milênios transformados
em cada grito, em cada dor.
Vez por outra nasce a luz
mas é vela em cera já queimada.
Não há caminhos, nem estrelas
que guiem o navegante ao fundo do nada.
A jornada é solitária, solitária e triste,
no túnel negro da antiga e boa depressão.


CULPA...




A BUSCA DA PERFEIÇÃO

Por detrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nossos tédios e angústias, está um sentimento, o mais arraigado em nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos, que é o sentimento de culpa.

O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza por alguém não ter sido como deveria ter sido, é uma tristeza por ter cometido algum erro que não deveria ter cometido.

O núcleo do sentimento de culpa são estas palavras: "Não deveria...".

A culpa é a frustração pela distância entre o que nós fomos e a imagem de como nós deveríamos ter sido.

Nela consiste a base para a auto-tortura.

Na culpa, dividimo-nos em duas pessoas: uma real, má, errada, ruim, e uma ideal, boa, certa e que tortura a outra.
Dentro de nós processa-se um julgamento em que o Eu ideal, imaginário, é o juiz e o Eu real, concreto, humano, é o réu.

O Eu ideal sempre faz exigências impossíveis e perfeccionistas.
Assim, quando estamos atormentados pelo perfeccionismo, estamos absolutamente sem saída. Como o pensamento nos exige algo impossível, nunca o nosso Eu real poderá atendê-lo.

Este é um ponto fundamental.

Muitas pessoas dedicam a sua vida a tentar realizar a concepção do que elas devem ser, em vez de se realizarem a si mesmas.

A diferença entre auto-realização e realização da imagem de como deveríamos ser é muito mais importante.

A maioria das pessoas vive apenas em função da sua imagem ideal e este é um instrumento fenomenal para se fazer o jogo preferido do neurótico: a auto-tortura, o auto aborrecimento, o auto-castigo, a autopunição, a culpa.

Quanto maior for a expectativa a nosso respeito, quanto maior for o modelo perfeccionista de como deve ser a nossa vida, maior será o nosso sentimento de culpa.

A culpa é a tristeza por não sermos perfeitos, é a tristeza por não sermos Deus, por não sermos infalíveis; é um profundo sentimento de orgulho e onipotência; é uma incapacidade de lidar com o erro, com a imperfeição; é um desejo frustrado; é o contato direto com a realidade humana, em contraste com as suas intenções perfeccionistas, com os seus pensamentos megalomaníacos a respeito de si mesmo.

E o mais grave é que aprendemos o sentimento de culpa como virtude!

A culpa sempre se esconde atrás da máscara do auto-aperfeiçoamento como garantia de mudança e nunca dá certo.

Os erros dos quais nos culpamos são aqueles que menos corrigimos.

A lista de nossos "pecados" no confessionário é sempre a mesma.

A culpa, longe de nos proporcionar incentivo ao crescimento, faz-nos gastar as energias numa lamentação interior por aquilo que já ocorreu, ao invés de as gastarmos em novas coisas, novas ações e novos comportamentos.

Por isto mesmo, em todas as linhas terapêuticas, este é um sentimento considerado doentio.

Não existe nenhuma linha de tratamento psicológico que não esteja interessado em tirar dos seus pacientes o sentimento de culpa.

A culpa é um auto-desprezo, um auto-desrespeito pela natureza humana, por seus limites e pela sua fragilidade.

A culpa é uma vingança de nós mesmos por não termos atendido a expectativa de alguém a nosso respeito, seja esta expectativa clara e explícita, ou seja uma expectativa interiorizada no decorrer da nossa vida.

Por isto é que se diz que, ao nos sentirmos culpados, estamos alienados de nós mesmos, e a nossa recriminação interna não é, nem mais nem menos, do que vozes recriminatórias dos nossos pais, nossas mães, nossos mestres ou outras pessoas que ainda residem dentro de nós.

Mas aquilo que nos leva a esse sentimento de culpa, aquilo que alimenta esta nossa doença auto-destrutiva, são algumas crenças falsas.

Trabalhar o sentimento de culpa é, primordialmente, descobrir as convicções falsas que existem em nós, aquelas verdades em que cremos e que são errôneas, e nos levam a este sentimento.

A primeira delas é a crença na possibilidade da perfeição.

Quem acredita que é possível ser perfeito, quem acha que está no mundo para ser perfeito, quem acha que deve procurar na sua vida a perfeição, viverá necessariamente atormentado pelo sentimento de culpa.

A expectativa perfeccionista da vida é um produto da nossa fantasia, é um conceito alienado de que é possível não errar, que é possível viver sem cometer erros.

Quanto maior for a discrepância entre a realidade objetiva e as nossas fantasias, entre aquilo que podemos nos tornar através do nosso verdadeiro potencial e os conceitos idealistas impostos, tanto maior será o nosso esforço na vida e maior a nossa frustração.

Respondendo a esta crença opressora da perfeição, atuamos num papel que não tem fundamento real nas nossas necessidades.

Nos tornamos falsos, evitamos encarar de frente as nossas limitações e desempenhamos papéis sem base na nossa capacidade.

Construímos um inimigo dentro de nós, que é o ideal imaginário de como deveríamos ser e não de como realmente somos.

Respondendo a um ideal de perfeição, nós desenvolvemos uma fachada falsa para manipular e impressionar os outros.

É muito comum, no relacionamento conjugal, marido e mulher não estarem amando um ao outro e, sim, amando a imagem de perfeição que cada um espera do outro.

É claro que nenhum dos parceiros consegue corresponder a esta expectativa irreal e a frustração mútua de não encontrar a perfeição gera tensões e hostilidades, num jogo mútuo de culpa.

Esta situação se aplica a todas as relações onde as pessoas acreditam que amar o outro é ser perfeito.

Quando voltamos para nós exigências perfeccionistas, dividimo-nos neuroticamente para atender ao irreal.

Embora as pessoas acreditem que errar é humano, elas simplesmente não acreditam que são humanas!

Embora digam que a perfeição não existe, continuam a se torturar e a se punir e continuam a torturar e a punir os outros por não corresponderem a um ideal perfeccionista do qual não querem abrir mão.

Outra crença que nos leva à culpa, esta talvez mais sutil, mais encoberta e profunda, é acreditarmos que há uma relação necessária entre o erro e a culpa, é a vinculação automática entre erro e culpa.

Quase todas as pessoas a quem temos perguntado de onde vêm os seus sentimentos de culpa, nos respondem taxativamente que vêm de seus erros. Acreditamos que a culpa é uma decorrência natural do erro, que não pode, de maneira alguma, haver erro sem haver culpa.

Se acreditamos nisto, estamos num problema insolúvel.
Ou vamos passar a vida inteira tentando não errar para não sentirmos culpa - e isto é impossível porque sempre haverá erros em nossa vida - ou então passaremos a vida inteira nos sentindo culpados porque sempre erramos.

Essa vinculação causal entre erro e culpa é profundamente falsa.

A culpa não decorre do erro, mas da maneira como nos colocamos diante do erro; vem do nosso conceito relativo ao erro, vem da nossa raiva por termos errado. Uma coisa é o erro, outra coisa é a culpa; erros são erros, culpa é culpa.

São duas coisas distintas, separadas, e que nós unimos de má fé, a fim de não deixarmos saída para o nosso sentimento de culpa.

O erro é o modo de se fazer algo diferente, fora de algum padrão.

O que é chamado erro é a saída fora de um modelo determinado, que pode ser errado hoje e não amanhã, pode ser errado num país e não ser errado em outro.

A culpa é um sentimento, vem de nós, vem da crença de que é errado errar, que não podemos errar, que devemos ser castigados pelas faltas cometidas; crença de que a cada erro deve corresponder necessariamente um castigo, de que a cada falta deve corresponder uma punição.

Aliás, o sentimento de culpa é a punição que damos a nós mesmos pelo erro cometido.
Não é possível não errar, o erro é inerente à natureza humana, ele é necessário a nossa vida. Na perfeição humana está incluída a imperfeição.
Só crescemos através do erro.

As pessoas confundem assumir o erro com sentir culpa.

Assumir o erro é aceitar que erramos, é nos responsabilizarmos pelo que fizemos ou deixamos de fazer.

Mas quando acreditamos que a culpa decorre do nosso erro, tentamos imputar a outros a responsabilidade dos nossos erros, numa tentativa infrutífera de acabar com a nossa culpa.

A propósito do erro, há um texto interessantíssimo no livro "Buscando Ser o que Eu Sou", de Ilke Praha, que diz: "O perfeccionismo é uma morte lenta.

Se tudo se cumprisse à risca, como eu gostaria, exatamente como planejara, jamais experimentaria algo novo, minha vida seria um repetição infinda de sucessos já vividos.

Quando cometo um erro vivo algo inesperado.
Algumas vezes reajo ao cometer erros como se tivesse traído a mim mesmo.

O medo de cometer erros parece fundamentar-se na recôndita presunção de que sou potencialmente perfeito e de que, se for muito cuidadoso, não perderei o céu.

Contudo, o erro é uma demonstração de como eu sou, é um solavanco no caminho que tracei, um lembrete de que não estou lidando com os fatos.

Quando der ouvidos aos meus erros, ao invés de me lamentar por dentro, terei crescido". Este é o texto.

Algumas pessoas nos perguntam: "Mas como avançar em relação a este sentimento, como arrancar de mim este hábito de me deprimir com os erros cometidos?".
Só existe uma saída para o sentimento de culpa.

Façamos uma fantasia: imaginemos por um instante que estamos à morte e nossos sentimentos deste momento são de angústia, tristeza e frustração por todos os erros cometidos, por tudo o que deveríamos ter feito e não fizemos; remorsos pelos nossos fracassos como pai, como mãe, como profissional, como esposo, como esposa, como religioso, como cidadão, mas, ao mesmo tempo, estamos com um profundo desejo de morrer em paz, de sair desse processo íntimo de angústia e morrer tranquilos.

Qual a única palavra que, se pronunciada neste momento, sentida com todo coração, teria o poder de transformar a nossa dor em alegria, o nosso conflito em harmonia, a nossa tristeza em felicidade?

Somente uma palavra teria essa magia.
A palavra é: Perdão.

O Perdão é uma palavra perdida em nossa vida.

O primeiro sentimento que se perde no caminho da loucura é o sentimento de perdão, o sentimento de auto-perdão.

Se a culpa é a vergonha da queda, o auto-perdão é o elo entre a queda e o levantar de novo.

O auto-perdão é o recomeço da brincadeira depois do tombo: "Eu me perdôo pelos erros cometidos, eu me perdôo por não ser perfeito, eu me perdôo pela minha natureza humana, eu me perdôo pelas minhas limitações, eu me perdôo por não ser onipotente, por não ser onipresente, por não ser onisciente, eu me perdôo por...".

O perdão é sempre assim mesmo, é pessoal e intransferível.

O perdão aos outros é apenas um modo de dizermos aos outros que já nos perdoamos.

Perdoarmo-nos é restabelecer a nossa própria unidade, a nossa inteireza diante da vida, é unir outra vez o que a culpa dividiu, é uma aceitação integral daquilo que já aconteceu, daquilo que já passou, daquilo que já não tem jeito; é o encontro corajoso e amoroso com a realidade.

Somente aqueles que desenvolveram a capacidade de auto-perdão conseguem energia para uma vida psicológica sadia.
A criança faz isto muito bem.

O perdão é a própria aceitação da vida do jeito que ela é, nos altos e nos baixos.

O auto-perdão é a capacidade de dizer adeus ao passado, é a aceitação de que o passado é uma fantasia, é apenas saber perder o que já está perdido.

O auto-perdão é um sim à vida que nos rodeia agora, é uma adesão ao presente, à única coisa viva que possuímos, que são nossas possibilidades neste momento. Não podemos abraçar o presente, a vida, o passado e a morte ao mesmo tempo.

O perdão é uma opção para a vida, o auto-perdão é a paciência diante da escuridão, é o vislumbre da aurora no final da noite.

O auto-perdão é o sacudir da poeira, é a renovação da auto-estima e da alegria de viver, é o agradecimento por sabermos que mais importante do que termos cometido um erro é estarmos vivos, é estarmos presentes.

Para encerrar este tema, quero sugerir-lhes uma reflexão sobre este texto escrito por Frederick Pearls: "Que isto fique para o homem!
Tentar ser algo que não é, ter idéias que não são atingíveis, ter a praga do perfeccionismo de forma a estar livre de críticas, é abrir a senda infinita da tortura mental.

Amigo, não seja um perfeccionista.
Perfeccionismo é uma maldição e uma prisão.

Quanto mais você treme, mais erra o alvo.
Amigo, não tenha medo de erros, erros não são pecados, erros são formas de fazer algo de maneira diferente, talvez criativamente nova.

Amigo, não fique aborrecido por seus erros.
Alegre-se por eles, você teve a coragem de dar algo de si".



A fome em contemplação




A fome em contemplação

Minha sede,
tal um vampiro,
não se extingue.

Minha dor ao sol,
meus pesadelos.

Meu coração negro,
o vazio pungente.

Apenas a fome me norteia
E eis que tua sombra me acalenta

Teu corpo sujo me nutre e me castiga
Bebo teus horrores,
sou devorado
Não encontro um porquê.

Os espelhos dos teus olhos
A miríade das ofensas
Minha fome não que ser contemplada.

Aos olhos do flamejante Hades
todos os famintos são iguais

 

QuaL DeLaS ?


A sedução e o mistério te atraem...
Sei que, primeiramente, vens pelo meu brilho e pelo meu desenho de fêmea, mas não sabes que sou alma antiga, alma guerreira, alma ferida.
Tenho meus medos, fraquezas e fúrias...
São tantas as minhas ruas, e todas elas se encontram...
Por quais você quer andar, que horas, que lua,
que Mulher vais querer?



Eu só de luz me sustento
de corpos, rostos irradiantes.
Chega de coisas baças.
Mas adiante.

Apenas quero das horas
o instante
a cada instante.
Ninguém me vê



Às vezes escondo-me no meu corpo e ninguém me vê.
As pessoas falam comigo e não notam que eu não falo com elas.
Posso até dizer algumas palavras,
posso até exprimir-me num longo discurso,
mas a verdade é que não falo com elas.
Estou escondido algures no meio do meu corpo.

 

Flores do palco


Flores do palco


Flores do palco

Quando ela os braços, em feitiços, alça
Em forma de arco se mexendo toda
Numa alegria franca, nada falsa,
Em risadas e oulos, semi-douda;

Ou mais ainda quando, em sons de valsa,
Ela ergue as saias como exige a moda
Para mostrar a rendilhada calça
Que sob a renda as coxas lhe acomoda;

Tremente de volúpia todo o povo,
Que assim a vê, obriga-a ali de novo
A cantar e a dançar de novo a obriga...

E ela acede...

E, em maior desenvoltura,
Redobra de furor mostrando a altura
onde nas coxas ela aperta a liga!

Ausência


Ausência


Ausência

Naquela noite
Escura e fria

Você,
Era tudo que eu queria
Mas não sabia o porquê

Talvez porque te amo tanto
Que acostumei com tua presença

Mas já estava dada
Minha sentença.

Choraria,
Sofreria,
Morreria,
Realmente.

Tua ausência me mataria

 

A Cor do Vermelho

Vermelho é a cor dos meus sonhos
É a cor dos meus olhos quando choro
E quando estou amando eles são... "Vermelhos Tintos"!
Acho que é porque "amando" eu choro mais!
Vermelho Tinto é a cor da minha bebida
Vinho Tinto Seco com Limão e Gelo
Acreditem!!! É uma delícia...
Gelada e Vermelha é a cor da ausência do amor
O amor tem a cor do desejo que eu imagino também ser "Vermelho"!
Assim como o Vermelho do vidro do meu perfume
Crasy - Boticário
Do perfume que possui as Rosas Vermelhas
Desse bouquê, no canto esquerdo desse blog
Presente de um amigo... Vermelho de tímido
Vermelho é a cor do sol (fotografado pelo satélite)
É a cor das pessoas
Do sangue que as compõe
Sangue Vermelho que alimenta os órgãos vitais
Sangue que vi quando meus filhos nasceram
Vermelho é a cor da fertilidade feminina
E do sangue da paixão repreendida
Vermelho é a cor dos olhos de um homem viril
Vermelho é a cor da carne humana para o desfecho de uma noite na cama
Vermelho é a cor da camisa pólo que ele vestia
A cor do pecado é o Vermelho da "maçã"
A acidez do Vermelho do morango combina com chocolate
Chocolate é a cor da tua pele tatuada...
Vermelho é a cor do meu chaveiro
Das minhas chaves de casa,  do meu coração e do meu corpo inteiro
Vermelho é a cor dos sapatos de salto alto que eu nunca usei
Uso salto! Mas não é Vermelho!
Mas... se saio a noite...
Vermelho é a cor do baton na minha boca
Vermelho é a cor do alerta, da emergência
Do "pare"... Não! Não pare!!!
Vermelho é a cor do mar no horizonte
Quando o sol o beija
Vermelho é o gosto do beijo
Daquele que morde a boca de tanto desejo
Vermelho é a cor da fé e da esperança
Que não pode ser fraca, tem que arder, ser franca!
Vermelho seria a cor do vestido que eu nunca usaria
Ficaria sem roupa para você
Vermelho é a cor do tempo
Que passa...mas não te arrasta!
Não te leva daqui...
 Vermelho é a cor da saudade que sinto de ti.

A Princesa Margarida

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Órfã aos dez anos por morte prematura do pai, a Margarida tinha quinze anos e era das raparigas mais bonitas da aldeia. Ainda menina e moça, tinha aprendido a ser o homem da casa mal acabara a quarta classe, costurando para fora com o que bebera da mãe, cuidando dos três irmãos mais novos e da própria mãe, que vegetava acamada por doença continuada e irreversível. A família coabitava num pardieiro alugado ao senhor da terra, que era simultaneamente o pároco, e já tinha mais de seis meses de renda em atraso. As dificuldades eram tantas que embrulhavam a fome em parcas doses de sopa e de sonhos de uma vida melhor.
Rapazes a arrastar a asa à sua volta eram todos os que havia por ali na idade de namorar, uns porque era formosa, outros porque adivinhavam facilidades germinadas no chão da pobreza. Mas ela não tinha tempo para brincadeiras quanto mais para namoricos. Mas tinha um fraquinho pelo João, cinco anos mais velho. Talvez pelo facto dele ser sobrinho do padre e seu herdeiro universal em testamento, pelo desnível social ou pelas lides diárias, ou devido a tudo isso por junto e muito mais, a razão cerceava-lhe quaisquer veleidades em aceder à paixoneta, apesar da infinita persistência do rapaz.
Desde que começaram a atrasar-se na fala, que é o mesmo que dizer que o calote estava sempre a aumentar, já tinha ido falar com o senhor abade umas três vezes e o seu semblante denotava preocupação. Não tinha qualquer condição em saldar a dívida, nem vislumbrava nenhum jeito de aumentar o escasso dinheiro que amealhava tão arduamente. Por outro lado, o que lhe ampliava o desassossego, as conversas do padre soavam-lhe mal e não tinha a certeza onde é que ele quereria chegar, mas andava apreensiva com a hipótese do padre querer coisa diferente do dinheiro.
Naquele dia uma vizinha trouxe-lhe o recado que temia:
- O Sr. Abade quer falar contigo. Que vás lá ainda hoje…
Meteu-se ao caminho com um nó na garganta e com a ideia de empalhar o assunto com mais um choradinho, realidade que já estava acostumada a encenar na mercearia e noutros fiados. Mas, desta vez, o padre fez-lhe uma conversa rebuscada nos saberes eclesiásticos enquanto a ofendia com carícias no rosto. A certa altura agarrou-a e desatou a beijá-la. Resistiu como pôde mas não evitou em pagar-lhe a dívida como ele queria. Atormentada, deixou-se literalmente violar e foi-se embora, largando-o ainda a resfolegar como um cavalo no final da corrida.
Nos meses seguintes, idênticos recados, iguais violações. A Margarida andava amargurada e tratava das lides caseiras como um autómato. Notou que a menstruação se atrasara e foi convivendo com mais essa preocupação. Não sabia qual era a atitude que a situação exigia nem com quem deveria falar. Passava noites em branco a chorar para dentro. A gravidez já deveria ser de três meses quando resolveu enfrentar de vez o padre antes que ele voltasse a resfolegar.
- Sr. Abade… Estou grávida…
O homem ficou pálido e sucessivamente de todas as cores da aflição.
- Essa criança não é minha… Vê lá quem são os rapazes com quem andas e escolhe um para ser o pai…
Asseverou-lhe que só o fazia com ele e, por isso, não havia nenhuma dúvida de que o pai era mesmo a cavalgadura resfolegante. Aí o padre ficou prostrado, mas logo começou a falar em aborto ao mesmo tempo que resfolegava, desta vez como uma besta acossada.
Regressou a casa com o aborto ferrado na cabeça e a noite seguinte foi um pesadelo só, sonhado no meio de um charco de sangue. O dia amanheceu mais negro do que nunca e a Margarida não queria imaginar o aborto que o padre tanto lhe tentara impingir. Estava confusa, se o não fizesse seria proscrita por toda a vizinhança. Resolveu abrir-se com o João e contou-lhe tudo de uma assentada, pedindo-lhe ajuda para o aborto. O rapaz ficou abalado mas ao fim de alguns dias propôs-lhe casamento. Ela aceitou por não ver mais nenhuma saída e porque gostava mesmo dele. E a mãe, na agonia do catre, abençoou o enlace porque o pai da criança, que lhe foi dito ser o João, era um bom partido para a filha.
A boda, que seria discreta, ficou marcada para dali a um mês, mas o nosso jovem, antes disso, tinha ainda uma coisa importante a fazer. Conversou com o tio padre e fez-lhe saber que conhecia a origem da gravidez da Margarida. Deixou-o com as mãos na cabeça e um frasco de remédio do escaravelho no bolso. No dia seguinte encontraram o Sr. Abade morto na cama e o médico, na certidão de óbito, atribuiu a sua morte a uma paragem cardíaca. Mas as más-línguas cochichavam que tinha morrido de desgosto pelo casamento do sobrinho.
O João confessou-me tudo quando me convidou para o casamento. Eu não sou padre mas perdoei-lhe o seu pecado. Intimamente e em nome de Deus, porque apesar de não ter legitimidade canónica para o efeito era a única pessoa em quem ele confiava e eu, sendo filho d’Ele, senti-me capaz de falar em nome do Pai.
A Margarida, tal como toda a gente, nunca soube da verdadeira causa da morte do padre. Depois de casada, não pagou mais rendas, voltou para a escola, tirou um curso superior, foi mãe de mais dois filhos e passou a viver que nem uma princesa.

VOCÊ É ESPECIAL...


Você é especial

Você é a razão dos meus dias vividos.
Você me traz segurança emocional.
O nosso amor se reafirma a cada dia que se passa.
Diz-me palavra carinhosa.
Por isso você é especial.
Meu entusiasmo aumenta a cada dia.
Assim a palavra chave do nosso AMOR.
É comprometimento
Tenho por você um amor genuíno.

PAZ ENTRE OS HOMENS



Ah! Se os homens pensassem no amor
Se pensassem na felicidade e na paz...
No mundo, não haveria maldade capaz
De contrariar o nosso pai, o Senhor.
Porque vieste a nós sem pranto nem dor
Com um afeto e uma ternura tão eficaz
Ensinando-nos a verdade, e tudo o que faz
Para ficarmos animados com clamor...
Feliz será quem buscar a paz para viver...
Bendito seja quem tiver amor no coração
Porque em ti, não haverá mal a crescer...
Assim, conquistará a tua justa salvação
E a tua alma não mais saberá o que é sofrer...
Porque em ti terá paz, amor e união.

 

PERFEIÇÃO



Segui as linhas perfeitas dos teus versos,
Rimas, cadência, tudo em harmonia...
Viajei sequioso, por teus Universos,
Migrei da realidade pra tua poesia...

Pesquisei suavemente as tuas rimas,
Os contornos da poesia esmiucei...
Todas as frases, e até alguns sofismas,
De um a um, atentamente, eu estudei.

Tal tempo dediquei a esse estudo,
Que em tão mal dormidas horas, me perdi...
Vagando na perfeição daquilo tudo,

Em êxtase, a tudo o mais eu fiquei surdo...
Perplexidade foi então o que senti!
Sem saber o que dizer, eu fiquei mudo...

SER FELIZ...



Felicidade
Não é só estar com você
Nem sómente te amar
Não é só querer e ter

Felicidade é poder retornar
Os mesmos carinhos
Os mesmos sentimentos
Que vem da alma

Felicidade
è poder sorrir
O dia inteiro
Sem achar explicação

E chorar com a emoção
De quem enxuga cada lágrima
Que morre salgada
Nos lábios quentes de quem ama

 

CAMINHOS



Sou a aragem do amor suave
Brisa fresca que arrepia a pele,
Desejo sentido que te chama
Vontade que te clama e te alcança.

Sinto-te no silêncio da minha noite
Encostando suavemente no meu leito,
Tomando para ti a minha ardência
Fazendo que me perca nos teus beijos

Vento forte que me alucina
Voragem inebriante do momento,
Tua boca se fundindo a minha
Sonho que me assombra até o dia.

Teus braços fortes me tomando
No meu desejo que te faz amante,
No momento eterno do encontro.

Nossos caminhos se encontrando,
Nossas trilhas se entrelaçando,
Nosso amor se completando.

NOSSO NINHO DE AMOR...



Em nosso jardim secreto
o crepúsculo chega sorridente
colorido, por tons pastéis
um presente da natureza para nós
Cúmplice, a relva verde e macia
salpicada de flores delicadas e singelas
nos acolhe sem pudor...
Solícita, nos oferece um ninho de amor
Suas mãos, brincando com a brisa suave
encontram meu corpo, desnudam...
Carícias quentes e precisas
buscando na satisfação dos desejos, o prazer
Num toque mágico o tempo para
o calor avassalador da paixão nos invade...
A fragrância suave da relva
mistura-se ao cheiro do nosso amor
Feliz e aconchegada em teu peito
sinto o calor de seu hálito quente
ouço, sua voz rouca e cálida
sussurrando em meu ouvido
Eu amo você!...

 

TEU CORPO


Teu corpo...
Meu abrigo
Ressonância de canções
Etéreas
Muito além do físico
Da matéria!
Meu descanso espiritual
Remanso transcendental
Teu corpo!
Meu universo
Eclosão de rimas e versos
Perfeita sintonia
Esboço de perfeição e harmonia
Arquitetura divina.

TEU CORPO


Teu corpo...
Meu abrigo
Ressonância de canções
Etéreas
Muito além do físico
Da matéria!
Meu descanso espiritual
Remanso transcendental
Teu corpo!
Meu universo
Eclosão de rimas e versos
Perfeita sintonia
Esboço de perfeição e harmonia
Arquitetura divina.
NA NOITE...

Na escuridão noturna, se acordas de repente,
Sinta na insônia a rolar na cama, a vibração do
Meu querer ausente. É o meu chamado que te
Faz presente no sonho louco de um amor ardente.
Sou ser noturno, e na ânsia de pertencerte, chamo
Pelo teu nome, busco tua chama, queimo no desejo
De ter em mim o teu prazer pra sempre..

 

SER CRIANÇA


Barco de papel
Sonhos ao léu
Na mão uma boneca
De pano
Ou uma pipa de papel
O menino está a soltar
Fazendo de seu brinquedo
Um mundo colorido,
Mágico, bonito
Seu reino encantado
Onde a realidade
É sua fantasia.

No rosto estampa a alegria
Em tudo põe a imaginação
Fazendo um novo brinquedo.
No rosto uma ternura
E em suas travessuras
Nada de maldade
Apenas uma maneira
De chamar atenção.

Ser criança
É deixar os sonhos fluírem.
É ter esperança
E fazer da vida
Uma constante renovação
Sempre construindo

E reconstruindo castelos
Quando a onda desmorona
Sem jamais
Perder a alegria
E a vontade de sonhar.

DESILUSÃO

Havia sim
gosto de amor
em seus lábios
quando os beijei...

Um suspiro...
Um tremor...
Um turbilhão de emoções
que jamais provei!

Mas quando evitaste
olhar-me nos olhos,
desta certeza
eu duvidei...

E salgou-me a boca
o amargo das lágrimas
que chorei!
AMOR ACHADO


Enquanto meu amor não encontrar
O teu amor serei uma folha solta ao vento,
Flutuando ao sabor do tempo, No desejo que sinto
Por teu beijo...
Ah! Como a saudade é poderosa!
Invade, queima e sufoca.
Sonho infinito de prazer que no peito
Chora...
DESEJOS


No crepúsculo
as cores se dissimulam.
As pétalas ficam
envoltas em fantasia.
E as rosas seduzidas
esmorecem
pelo toque
dos desejos ardentes...


COMO UMA FLOR VERMELHA E VADIA

Atravessava as cinzas das
horas na noite vermelha,
profunda, linda, inúltil, e
alheia.
Levava nos cabelos negros
uma flor, levava nos olhos o
calor da febre que ardia; e
do aroma que de sua flor se
esvaia, nascia a paixão no
sangue quente que das veias
me escorria... E com ela fiz
amor no coração.
Ninguém sabe de onde vinha,
para onde ia, nua a caminhar
sobre a lua, como uma flor
vermelha e vadia na frialdade
das ruas que lhe acolhia.

 


SOU REAL

Não fantasia
Multicolor em águas cristalinas.
Intesa ,feminina.
O ódio sem maldade
Feitiço de almas
O tema da inspiração
Sentimentos,da emoção.
O indecifrável que alucina.
Não me penitencie
Sou mulher ,menina.
Sou poesia.

 

FIO A FIO

Ele disse que voltava
Ela o esperava
Tecendo seus dias
Fio a fio

Tecia as luas
com fitas de saudade
Tecia o sol das manhas
Com os olhos de esperança

No inverno,
Tecia seus casulos,
Metálicos do silencio.
Da sua mente crisálida.

 

SENTIMENTO MAIOR


Espreito o espetáculo noturno
Flagro a lua beijando o céu .
Abro a janela da alma
Sugo o brilho das estrelas.
Com as mãos tremulas,
Da rara beleza .
Teço versos em matizes
Cintilantes.
Um poema maior ..você!

 

SAINDO DE CENA.


Saindo de cena
Estou saindo de cena
Desiludida,escravizada
Pelas falsas visões

Estou saindo de cena
Emudecida ,das dores
De mulharas intrasponiveis

Estou saindo de cena
Descalça ,pés no chão
Não quero despertar
A fúria da solidão

Estou saindo de cena
Enquanto restam -me sutilezas
Sublinhada pela razão

Estou saindo de cena
De alma liberta
E ternura nas mãos

CAMINHOS


Ao longo da estrada,

Em passos lentos

São tantos caminhos

Que temos que percorrer.

Cada curva um espétáculo.

Denominado como tempo.

Dividido em atos.

Chamado vida!

NEGO.

Minha vontade
De amar-te
Que só a ti
Entrego meus dias

Nego.
O gosto orvalhado
Da sua boca na minha
A sombra do meu olhar
Sem o seu

Nego.
Seu cheiro
Que ascende
Meus desejos
A pele
Que arrepia

Nego.
As lágrimas que rolam na face
Quando te abraço
Na emoção contida

E negando
Não posso deixar
De amar-te
Meu coração não aprendeu
A ti negar.

RUMO A RAZÃO

Vou lavar
Minha
Saudade
Tirar do corpo
As marcas da paixão
Andar descalça
Na alma limpa
Criar dois pares
De asas transparentes
E voar
Rumo a razão ...

DEIXE A PORTA ABERTA.


Deixe a porta do seu coração aberta.
Vou entrar devagar ,com cuidado.
Não coloque barreiras
Não temas.
Sou leve como pluma
Suave como brisa.
Quero dançar pr ti.
Enfeitar sua alma
De balões coloridos
Preencher cada pedacinho
De risos e sorrisos
Sentimentos variados
Embrulho me nas magias
Ilusões e sonhos.
Não temas
Deixe te amar
Como só eu sei fazer.

 

Não sou mulher 

 

Não sou mulher
Para se desvendar
Sou imposta
A fúria de mistérios.
Ousada persistente.
Quando magoada.
Me vejo exilada
Nas escuridões das cavetas
Tentando me esquecer .
Não tente desvendar
O que nem eu sei.

ULTIMO LANCE.

Apostei minha vida,

Em um ultimo lance.

Bebendo a essência,

Da loucura.

Simulando uma vida feliz.

SÓ PENSAMENTOS

Pela porta entre aberta olho
Não distingo,imagens
Mas sim pensamentos

Revivo todo aquele amor
Murmuro seu nome
Sinto sua presença.

Vontade louca de saltar
Para dentro de você
Mas choro miudo,debil e constante
Vinha do meu peito.

Pela porta entre aberta
Não distingo imagens
Só pensamentos!

SÓ QUERIA AMAR-TE.

Eu só queria poder amar-te
Inundando por dentro
Entre a calma e a alma.


Soletrar palavras em sussurros
Doar-me por inteira
Com ar de harmonia
Reverter de encantos


Eu queria o poder da eloqüência
Despir de todos puderes
E amar-te sem fim


Mas estourou meu peito
Profano ..louco!
Arrancaste do sacrário
Dos meus sonhos
O meu o que mais gostava em mim.
VOCÊ!!

NASCER



Vim de uma razão maior
Pelos olhos do supremo.
Vim da cor rubra,
Aquela que alimenta o ventre.

Vim no silêncio da noite
Por mãos calmas
Embalando-me.

Vim para um mundo
De realidades.
Abismos infinitos, desafios.
Mas a vida tem me encantado tanto!

QUERO AMAR-TE.


Vem cá amor
Hoje vou atiçar sua libido
Quero lhe provocar
Invocar seus desejos
Entregar meus sonhos
Desvendar suas fantasias.
Vem amor!
Quero lhe amar
Ser mulher safada ,desvairada.
Mulher simplesmente.
Nessa entrega insana
De desejos.
Morre comigo?

BRANDO VENTO



Leva me, me eleva.
No seu ombro amigo.

Aconchega meu peito,
Nas ondas dos mares.
Embala me na ternura da lua.
No brilho das estrelas.
Entrega me aos cânticos dos deuses
Sublinha minha alma de paz.

Brando vento,
Impunha esse improvisado momento,
Como fragrância fosse
Para te presentear,quando de novo.
Encontrar- te.

 

ELA EM MIM .


Ela vaga a esmo,
Exilando em neblinas
Cinzentas do meu eu .
Vasculhando sentimentos
Com olhar perdido
Acovardada ,polêmica...provocante!
Ama sem perdir permissão
Enrola meu sonhar
Deixa-me a deriva de emoções
Fere minha paz..
Domina-me!
Ela (minha inspiração)
Lateja dentro de mim,não morre nunca
Mas é sem duvida ,uma alma difícil

ESPERA-ME!


No meio do nada
Da minha alma
Vago em sucessivas
Camadas de ilusão.
Sinto seu amor de outras vidas.
Silêncio repentino,calafrios.
Prostrada nessa sua ausência
Que chora.
Só o vento embala me.
Beijando meus cabelos.
E nessa valsa de devaneios
Afino as cordas do meu peito.
Grito em sons
De sinfonia maior
Espera- me!
Espera me até amanhã.

MOMENTOS


Quem nunca chorou dizendo adeus,
Até nunca mais,com o coração pedindoPara voltar.
Quem não esmagou um buquê de rosas,
Mas guardou uma pétala ,no meio do livro,
Para não deixar de lembrar.
Quem nunca orvalhou a face,
Na solidão da noite,no amanhecer vazio.
Quem não foi pego em pensamentos,
E sorriu sozinho.
Quem nunca olhou ,pela fresta do passado
E silenciou de emoção.
Quem não teve momentos assim
Não amou ,não viveu.

HOJE.

Hoje me bastaria
Um silêncio tranquilo
De sol poente.
Sentada à beira da minha alma.

POR TI.

Por ti somente
Quedei em silêncio
Fiz das mãos seu manto
De amor
Por ti chorei ,sorri
Toquei infinitos de ternura
Me revesti de petalas
Foi flor.
E por ti
Meu , amado
Virei poeta
Rasguei espaços
Entre as estrelas
E teci
Os mais lindos
Versos de amor

SEU OLHAR


Esse seu olhar
Que á mim cintila.
Sinto nas silabas o verbo amar
Entre o meu e o seu .
Vou colhendo da chuva fina
Fragâncias...do meu céu particular.
Não faço perguntas sobre o verbo
Deixo esse momento brilhar....
Sinto a fina chuva, penetrar no meu corpo.
Como amplidão de luz..o meu sentir.
E no ocultismo, dos desejos loucos.
Me limito a sorrir....

EU ESPERO


Nos campos dos meus sonhos
Vou cavando fontes ,plantando flores
Vou fazendo de ti mais forte em mim
Não me deixe esperando muito tempo
Venha pelas asas dos meus pensamentos
Por um raio do luar
Pelo reflexo pálido dos trigais
O sol aqui brilha azul
Nos meus cabelos
Quero te vivo ,forte ,brando
Não me deixe amor
Vamos dormir nesse leito angelical
Dos meus sonhos.
Onde as brumas do tempo
Passam para todos
Menos para nós
Eu espero!
Não demore!
Jamais!
 
Respeite o meu jeito
Não aponte defeitos
Aceite-me como sou.
Maquiar minha Alma,
Só prá te agradar
Jamais!

NOTURNO.



Abre-se os portões
Escancara a noite
Com suas asas negras
A lua Partido alto
Desse espetáculo
Veste-se de fonte
Jorrando estrelas

VEM MEU BEM


Entra nesse meu sonho lilás
Fica á deriva das emoções
Dança, na miragem dos meus tons.
Germinada de sentimentos
Santidade em expansão.
Abraça-me apertado.
No tudo, ou no nada.
Mas vem!
Comungar comigo
Nessa constelação.
ManyPallo

OUÇO MINHA VOZ.


Mesmo calada
Ouço minha voz
Posso tocar,
Infinitos no escuro.
Minhas percepção,
Alcança altares.
Onde deposito
Cantos e prantos.
Uma entrega da alma
De petálas fraternas
Diante o altar santo.

GRATIDÃO A VIDA.


Mesmo que tenha
Que beber
Todas as gotas amargas
Da dor
Descer degraus de buscas
Pisar em pedras disforme
Adentrar labirintos
Em ruas a meio ás luzes
Mesmo assim
Levarei comigo
O fraterno gosto
Da razão de existir

 

ORVALHO NOTURNO


Salpicou os campos
Com gotas cristalinas
De estrelas
E seu brilho
É de sonhos,
Que deixei
Cair dos olhos.
Cintilando horizontes.
Nesta noite,
De noturno encanto.
O amor se expande.
Fascinante!

UM DESEJO


Se tocar seus olhos,
Com a paisagem do meu eu.
E loucamente me envolver,
Nos seus braços.

Se revirar teus desejos,
O fogo da paixão, já adormecida.
E no intimo do seu nada,
Jorrar toda minha ternura.

Se conseguir te alcançar,
E levemente ,tocar sua alma,seu coração.
Se nos seus sonhos alça vôo
E alcançar as fronteiras
Da sua fantasia .
Você voltaria pr mim?

NADA DIZER


Não diga nada.
Apenas sirva-se
No cálice,
Do meu corpo.
Degusta desse amor.
Perca-se na dimensão,
Dessa ilusão.
Desvenda meus segredos.

DEIXAR-TE JAMAIS


Impossível deixar-te
Trago no peito,
A fogueira irracional
Desse nosso amor.
Nas entranhas ,algo inexplicável,
Que envolve meu corpo.
Levando -me a suspiros.
Se penso em sol
Aqueço-me com seu olhar
Se penso em lua
Deliro nos versos do seu corpo.
Deixar de amar-te jamais!
Sou tão livre.
Desse seu amor cativo.

 

PERDER EM VOCÊ.



Já gritei na sua boca
O amor que trago
Já silenciei meu corpo
Em meio a luzes.
Já me perdi nos abismos.
Já vi miragens...
Já degluti o espaço que nos cabe.
Já me extasiei em sentimentos,
Nesse universo que te amo
Vivo agora os sonhos de mil anjos
Entre ácacias e gerânios,
Essa paixão.
E comungo num
Só gole do seu ar.

REVIVENDO.


Hoje trago seus traços.
Rabiscos de uma passado
Já banido pelo tempo
Sufocado pela razão
Mas esses traços,
Disformes,mal digeridos,
Ainda vive.
Tão pungente
Em mim!

SE EU PUDESSE


Se eu pudesse
Pintaria seus olhos
Da cor do sol
Pra incandescer meu corpo.

QUERENDO-TE


Calada e inerte estou.
Meu peito grita.
Entoando o desejo,
De te desejar.

A pele arrepia ,queima.
Boca balbucia
Palavras desconexas.
Num querer gritar,
Do coração.

Olhos fechados,
Reportam sentimentos.
Daqueles que guardo
Em segredos...

A alma feito gaivota,
Voa ao sabor do vento.
Tentando seu sacrário
E mais sagrado encontrar
Seu coração.

CRAVADA EM SUA RETINA

CRAVADA EM SUA RETINA
Dormia.
Sonho de abrigo.
Ninho de passarinho.
Poesia em flor.
Acordes de violinos.
Bailando ternura.
De nos dois.
Cravada em sua retina
Sou luz
Asas de àguia
Vôo dos mar

BUSCA




Escondido na obscuridade
Do meu rosto.
Busco em mim ,
O sorriso.
Cânticos,abrigo.
O brilho dos seus olhos
A mão fraterna.
Labaredas da minha alma
Nada encontro
Nem a minha,
Própria essência.
Não é a mim,
Que procuro
Essa falta de você,
Mumificou-me
Em pedra fria .

 

HUMANO IV



E eu me enrodilho
em pernas
em braços
e amores
Me perco em sonhos,
visões, carícias
E me trasporto  
ao sublime
num ato de amor
Enredo por caminhos
escondidos...
por jardins florescentes
e céu de anil
Em nuvens de algodão
me deito
extasiada e completa
Mulher que sou
Em meus olhos
rebrilham os seus
em arco-íris
de paixão
em pura luz
Minha boca
que se cala
num doce beijo
de mel e hortelã
Sou sua
e cada vez mais
sou minha
Em você
me reencontro
Inteira, intensa, verdadeira.

Lancei-te bóias de mel


                         Do meu barco, vi o teu corpo
                         com cicatrizes gravadas
                         pelo revés de um fado caído,
                         falho no canto,
                         em luta contra a sede libertina
                         de um mar em fúria.

                         Dos teus cabelos revoltos,
                         dilatavam-se querenças
                         que mantinham à tona
                         a esperança arroxeada,
                         mas viva,
                         à procura de um farol.

                         Lancei-te bóias de mel e guiei-te
                         para o centro de ti mesma,
                         de onde me acenaste para entrar.

 

Apenas um sonho... nada mais...

«Deus quer, o homem sonha, o amor renasce... sempre que um homem quiser!»
a praia era maravilhosa. Eu nadei, nadei, voava sobre as águas mais parecia um golfinho. Ao chegar perto dela vi aquele olhar da cor do mar e parei... ela sorriu e disse: «acabou a gasolina?»
Tudo começou ali... Ao longe no calçadão, as pessoas passavam e nem nos viam.
Até aquele vulto enorme de braços abertos, no cimo daquele morro gigantesco parecia olhar para nós e exclamar:
__Crescei e multiplicai-vos. Se não o fizerdes, os muçulmanos dominarão o mundo inteiro!...
Já pela noite dentro, mão na mão, aproveitando a brisa, a lua sorrindo toda lua-cheia... ia cantarolando:
O teu olhar sorridente
Tem carinho, tem afeto,
É um raio incandescente
Vai ao coração__ direto!
Inspira tranquilidade
Companheirismo, decerto;
Simpatia e amizade
Um sol... bem longe, mas perto...
Gosto de te ver assim
Apenas um sonho alado
Tens asas de querubim
E... o sono me tens tirado.
Naquela praia deserta
Minha onírica paixão
Partimos à descoberta
Descobrimos... a ilusão.
Neste mundo de quimeras
A magia desse olhar
Promete haver primaveras
Quando... o inverno chegar...
Platonismo sem ter fim
Nem princípio, podes crer,
És simbolismo p'ra mim
Fazes sonhar... e viver!
Lá no alto, no Corcovado, Ele exclamou: «Eu vos abençoo...»

 

Do Outono e do Silêncio


Do Outono e do Silêncio

Ah como eu sinto o outono
nestes crepúsculos dispersos,
de solidão e de abandono!

Nessas nuvens longínquas,
agoureiras,
que têm a cor que um dia houve em meus
versos
e nas tuas olheiras...

Tomba uma sombra roxa sobre a terra.

A mesma nuança em torno tudo encerra
nuns tons fanados de ametista.

Caem violetas...

Paisagem velha e nunca vista...

Paisagem próxima e tão distante...

A luz foge,
esfacelando em silhuetas
os troncos da alameda agonizante.

O outono é uma elegia que as folhas plangem,
pelo vento,
em bando...

E o outono me amargura e anestesia
com o silêncio...

Silêncio
das ressonâncias
esquecidas
que o fim do dia deixa sempre no ar...

Silêncio
irmão das covas,
das ermidas,
incenso das distâncias,
onde a memória fica a ouvir perdidas
palavras que morreram sem falar..

 

VERDADEIRO AMOR!


Que nessa saudade...
Que nessa vida...
Os sonhos voltem a mim...
Que as lembranças da distancia tenha fim.
Que um dia não seja mais dor...
Nem saudades...
E nos seus carinhos sejam eternizados
Que você ao meu lado...
Cultivando o amor...
Quero ver-te deitada
Ao leito jogada, cansada a dormir.
E nas manhãs acordá-la
Com caricias sem fim.
Quero ver-te sorrindo,
Nos inexplicáveis momentos.
Quero ousar,
Na vitrine de nossas vidas,
A plateia assistindo um amor
Verdadeiramente sem fim!

 

 

FLOR


DEVEMOS TER ALTIVEZ,
EM DERROTAS SOFRIDAS
AO LONGO DE NOSSA CAMINHADA.
E HUMILDADE NAS NOSSAS VITORIAS.
E LEMBRE-SE...
QUEM SE RENDE AS CIRCUSTÂNCIAS...
SÃO AQUELES QUE NÃO ESTÃO
DISPOSTOS A MUDAR...
MUDE, SE ÉS PARA CONSTRUIR
TUA NOVA HISTORIA.
OU SIMPLESMENTE...
PARA COMPOR, E TRANSFORMAR
A HISTÓRIA DE ALGUÉM,
COMO PÉTALAS DE FLOR.

 

 

ESCOLHAS.



HÁ MOMENTOS QUE A VIDA NÓS LEVA...
HÁ MOMENTOS QUE LEVAMOS A VIDA.
HÁ MOMENTOS DE DESPEDIDAS.
HÁ MOMENTOS DE ENCONTROS E SAÍDAS.
NESTE MUNDO CONTIDO DE EMOÇÕES.
RENASCE O BEIJO DOADO NA FACE,
DAQUELE QUE SENTE DOR.
QUERO O CANTO DOS COLIBRI...
PARA FESTEJAR O TEU SORRISO.
QUERO A BAILARINA RODOPIANDO FELIZ,
PARA PROVOCAR OS TEUS ENCANTOS.
QUERO FAZER O SOL,
PARA ILUMINAR A TUA FACE.
QUERO REPOUSAR A LUA,
PARA A NOITE LHE ENTREGAR.
QUERO O BATER DAS ASAS DE UM PÁSSARO,
PARA EM MINHAS ASAS VOAR.
NUM VOO DE LIBERDADE A ONDE
SE FARÁ O AMAR.

 

AMA-TE


PORQUE CHORAS MULHER...
SE TUAS LÁGRIMAS NÃO IMPORTOU...
PORQUE CHORAS MULHER...
SE TEU AMOR, A ELE ENTREGOU...
PORQUE CHORAS MULHER...
SE O TEU CAMINHO, TU CRIOU E TRILHOU.
PORQUE CHORAS MULHER...
SE TEU CORPO ENTREGOU...
PORQUE CHORAS MULHER...
SE ELE A MAGOOU...
PORQUE CHORAS MULHER...
SE TU NÃO SE AMOU...

 


SENTIR...



HÁ MANEIRAS DE SE SENTIR AMAR...
SENTIDO O PERFUME DE TEUS CABELOS,
QUE TRÁS O VENTO.
SENTIR O TOQUE DAS MÃOS,
QUE TRÁS EM ONDAS DE CANÇÃO.
SENTIR A RESPIRAÇÃO,
QUE TRÁS ROMPENDO EMOÇÕES.
SENTIR A PELE MOLHADA,
QUE TRÁS GOTAS ILUMINADAS.
SENTIR O AMOR.
QUE TRÁS PÉTALAS DE FLOR.
SENTIR AS PÉTALAS DE FLOR.
QUE TRÁS DESTE AMOR,
UM UNIVERSO DE COR.

 

SIMPLICIDADE...



A FELICIDADE ESTA NA SIMPLICIDADE...
SIMPLICIDADE DO OLHAR...
DAS PALAVRAS.
DOS GESTOS.
DOS TOQUES E DO CAIR SERENO DA TARDE.
DA CONFISSÃO PARA SI MESMO DE UM AMOR.
DA DISPOSIÇÃO DE NÃO SENTIR DOR...
DAS TRAGETORIAS DE HISTORIAS,
MOLDADAS EM COR.
A FELICIDADE SE CONTEM, EM SIMPLICIDADES.
SIMPLICIDADE DE OUVIR...
DE CALAR-SE.
DE SENTIR...
O ENCANTO DA LUA, BRINDANDO
A NOITE NUA.
NAS MÃOS DE TEU DESTINO.
QUE BRINCAS COM CARINHO,
COM A SABEDORIA.
DE PODER, SER FELIZ....

 

 

PROMETIDA...


TU ÉS A MINHA CARNE E EU A TUA...
TU ÉS O MEU CHEIRO, E EU O TEU...
TU ÉS A MINHA ESSÊNCIA,
E EU A TUA...
TU ÉS A MINHA DONA...
E EU O TEU SERVO...
MEU CORPO PERTENCE A TI...
E A TI DEVO OBSERVAR...
NÃO ME VEJO NESTA ESTRADA,
SEM O TEU OLHAR...
SEM A TUA VOZ...
SEM O TEU FALAR...
SEM O TEU PERFUME QUE TANTO ME FAZ ENCANTAR...
POR TANTO...
SOU TU E TU ÉS EU....
DUAS ALMAS EM UM SÓ CORPO...
DOIS CORPOS EM UMA ÚNICA
PLENITUDE DE AMAR...

 

DESVANEIOS


AO ABRIR A PORTA DO QUARTO,
COM POUCA LUZ.
MEUS OLHOS, FINTARAM ASSOMBRADOS,
SEM QUERER ACREDITAR, NO QUE VIAM...
ALI... NA REPOUSA DE MINHA CAMA,
UM CORPO CAÍDO...
ENTREGUE AOS BRAÇOS E ABRAÇOS DE TEUS SONHOS.
OLHEI... ASSUSTADO, MAS ENCANTADO.
OBSERVEI, MINUCIOSAMENTE E DELICADAMENTE,
CADA CURVA DESNUDA DAQUELE CORPO,
CADA DETALHE, QUE ELE OUSAVA EXPOR A ME.
A PELE ESTUPIDAMENTE SE DOSA,
QUE DELA, EXALAVA O PERFUME DE FLOR.
OS LÁBIOS HÚMIDOS E ROSADO,
INESPLICAVELMENTE ARDENTES, FAZIAM-SE.
AS MÃOS DELICADAS, PEQUENAS DE DEDOS LONGOS,
REPOUSAVAM-SE AO LADO DE TUA FACE.
UMA FACE BRANDA, QUE ME ARRASTAVA AOS SONHOS.
E A MAGIA DA IMAGEM,
QUE ME ARRASTAVA AOS DESEJOS.
MAS... EM, UM BRUSCO MOVIMENTO,
TENDO SUORES A ESCORRER.
LEVEI AS MÃOS AOS MEUS OLHOS E OS FECHEI...
MAS AQUELA IMAGEM,
INSISTIA EM BAILAR SOBRE MINHA MENTE...
RESOLVI ABRI-LOS NOVAMENTE,
E ASSIM CONTEMPLAR, AQUELE ANJO QUE ALI DORMIA.
E FOI AI QUE PERCEBI...
QUE ERA UM ENGANO DE MINHA IMAGINAÇÃO...
CONTEMPLANDO AS MINHAS ILUSÕES...

 

SEM RESPOSTAS...


O relógio marca as horas,
e o tempo corre impassível...
E inexorável...
Indiferente e alheio a tudo...
Não há tempo para se parar,
mas é preciso fazer uma pausa,
independente do tempo...
É necessário estagnar o pensamento,
calar a alma e os sentimentos
e permanecer assim...
Por instantes que sejas...
Um absoluto silêncio,
para permitir que:
Façamos uma visita ao nosso templo interior.

 

VIDA... VIVA



SOI O QUE QUERO SER...
PORQUE POSSUO APENAS UMA VIDA!
E NELA, SÓ TENHO APENAS UMA CHANCE...
CHANCE DE TENTAR FAZER O QUE ÉS CERTO, E O QUE QUERO.
TENHO FELICIDADE O BASTANTE PARA FAZÊ-LA,
DÓCIL E DOCE...
DIFICULDADES AVASSALADORAS, PARA FAZÊ-LA,
EXTREMAMENTE GUERREIRA E FORTE...
TENHO TRISTEZAS CONTIDAS, PARA FAZÊ-LA,
INRRESISTIVELMENTE SUPER HUMANA...
E TENHO ESPERANÇAS...
SENSIBILIDADE SUFICIENTE PARA FAZER-TE FELIZ!

APENAS UM !



NÃO QUERO SER APENAS UM ROSTO.
E NEM QUERO ESQUECER O TEU...
QUERO VIVER EMBRIAGADO DE SENTIMENTOS.
E AQUECIDO DE AMOR E DE LUZ...
QUERO-TE SEMPRE EM ME.
TATUADA EM MINHA PELE E EM MINHA ALMA.
FORMANDO ASSIM...
UM SÓ CORPO, UMA SÓ ALMA...
UM SÓ SENTIDO...
UM SÓ CORAÇÃO!
AMAR É SE TORNAR UM SÓ.

 

MINHA EXISTÊNCIA..


Existem pessoas que convivem anos conosco...
E poucos representam!
Outras, ao contrário, surgem em nosso caminho...
E sem que se espere, gravam o teu nome em nossa existência.
E TU, ÉS UMA DELAS!
APENAS UMA PEDRA



SE UM DIA, ALGUÉM LHE DISSER QUE SE TORNAS-TES
UM SIMPLES CASCALHO OU UMA PEDRA.
MIRE BEM OS TEUS OLHOS, E DIGAS:
SOU A MAIS LINDA E PRECIOSA PEDRA QUE HÁ.
E QUE TU POSSUIS-TES...
POIS CARREGO BRILHO PRÓPRIO E FARTO.
TANTO QUE, DESTE BRILHO, TU, SUGAS-TES.
MAS... HOJE...
NÃO SUGARAS MAIS...
POIS RETIRO O MEU BRILHO DE TEU CAMINHO, E DE TEUS OLHOS.
E QUEM SABE ASSIM... VIVENDO NA ESCURIDÃO,
SENTIRAS FALTA DA LUZ QUE VOS SERVIA.
SOU A MAIS LINDA DAS PEDRAS, E A MAIS PRECIOSA.
E PARA TU, EU NÃO BRILHO MAIS...

 

 

UM DIA...


PENA NÃO PODER TODOS OS DIAS, ESTAR CONTIGO...
TROCANDO VERSOS E NOSSOS DESATINO.
MAS SAIBAS QUE...
AQUI TENS UM SER AMADO...
PARA FAZER VALER,
OS TEUS MAIS LINDOS,
ENCANTOS E SONHOS...
SEMPRE...!

 

PORQUE CHORAR!



SE TUA LÁGRIMA VAI DE ENCONTRO AOS TEUS LÁBIOS,
E ELES PODEM ABRIR UM SORRISO...
PARQUE CALA-TE!
SE TUA VOZ VEM A MEU ENCONTRO E DE MINHA ALMA...
PORQUE LAMENTAS!
SE A ANGUSTIA AGORA, REINA NO PASSADO...
PORQUE DEIXAS-TE DE SONHAR?
SE ESTE ÉS TEU MAIOR VALOR...
PORQUE NÃO SORRI?
SE TUA LUZ ÉS REVELADA POR ELE...
PORQUE LINDO ANJO...
POR QUE...
NÃO ME TEMAS...
APENAS AMA-ME...
COMO AMO A TE.

 

 

ARTE DE VIVER!



A VERDADE, SEMPRE ESTAS NO CAMINHO CERTO.
O BEM, ÉS A ACÃO...
O BELO...
ÉS O SENTIMENTO NOBRE QUE POSSUI NOSSOS DONS.
ESTA JUNÇÃO, ÉS A PRATICA PARA SER FELIZ!!
USE-A, SEMPRE…
SEMPRE USE-A.
POIS VIVER ÉS UMA ARTE.
UMA ARTE EXPLENDIDA.
VIVER...
ÉS COMO DANÇAR AO SOM DA MAIS BELA MELODIA
ESCRITA NO DIÁRIO DE D'US.
ENTÃO!
DANCE COMIGO...

 

PASSOS EM MIM...


QUE MINHAS PALAVRAS CHEGUEM A TI.
COMO UMA BRISA SUAVE,
TOCANDO-LHE O ROSTO,
E ACARICIANDO TEU ILUMINADO SER....
SOU UMA PLUMA ERRANTE...
QUE VOA AO CAPRICHO DO VENTO!!
E NELE:
LEVO MINHA MEMORIA E HISTORIA....
COMO SE FOSSE UM LEVE TOQUE,
E SUAVE BEIJO....
ASSIM SUAVIZAREI MINHA ALMA,
QUE LEMBRANÇAS TRAGO DE ANGUSTIAS E DOR.
E EM MEUS ABRAÇOS, FAREI SEGREDO....
E EM MEUS PASSOS...
TU SERÁS EU...A CADA PASSO...
PASSO A PASSO.

 

SEU JARDIM!



A cada manhã a vida renasce em nós...
E trazendo em si, novas emoções .
Surpresas, alegrias e até mesmo lágrimas!
Sinto bem dentro de me,
Que você podes transformar as tuas pedras
em flores...
E o teu caminho,
Em um jardim com o nome felicidade.
E eu estarei sempre aqui...
Todos os dias....
Aplaudindo a cada novo dia teu...
Vendo-os repletos de realizações.
E com pitadas de amor …
E muitas felicidades.
Estarei sim...

 

OLHOS VENDADOS


RETIRE AS VENDAS DE TEUS OLHOS...
RETIRE A DOR DE TUA ALMA,
E AS MANCHAS DE TEU CORPO!!
QUE JÁ NÃO SUPORTAS MAIS...
RETIRE A MAGOA,CARREGADA EM TEU PEITO.
A FACA CRAVADA EM ALENTO DE UM MOMENTO.
RETIRE O AMARGO DE TUA BOCA.
RETIRE AS LAGRIMAS DE TEUS OLHOS,
CAUSADAS POR UM AMOR MERGULHADO EM DOR.
A VIDA LHE CHAMA,
E CLAMA PARA QUE VOLTES A VIVER.
VIVER SEM...
DOR...
SEM MANCHAS...
SEM MAGOAS NEM LAGRIMAS.
RENASÇA, DE DENTRO DE TI.
A MULHER AMADA...
A ALMA SAGRADA,
DE UMA VIDA SEM MARCAS DE DOR...

 

Saída para a Sanidade



Saída para a Sanidade

O que tens a dizer ser insensato,
senão contradizer-te com palavras ocas;
deitar-te sobre pregos e sentir prazer;
cobrir-te de medalhas e lisonjas mocas;
travestir-te de feliz enquanto no retrato...

Abre com grande grito teu peito;
deixa pulsar sem disfarce teu coração;
chora lágrimas de dor verdadeira;
sonha e vive,
porém,
com emoção;
clama ajuda ao desfalecer no leito...

Ouve a voz que brota de tua entranha;
mescla ao teu bom senso o sentimento;
escorra sangue da veia pungida;
não percas a luta para o tormento;
toma o gozo pela dor,
numa barganha...

Então, quando da visita da alvorada
sentires o calor vivificante da coragem,
não mates teu tempo com pura divagação,
ungi-te de vigor e parte numa viagem;
chora,
ri,
ama,
faça da vida namorada.

 

O SOMBRERO

Dispo-Me
desta tua Pele
que Me arruína
Faz o indulgente
indigente
A Morte anuncia
Promessa de Vida não Cumprida
A Fantasia se rasga
em Milhões de rodopios
Cadafalso
esmaga o Verso
Morre de Asfixia
Hoje não te Mereço
Entrego-te sem colocar preço
O Delírio
tornou-se por demais Sombrio
Restou-me pouco Sol
para o largo Sombrero.

Escondi os olhos, mas não o corpo.
Provoco-te o corpo, mas não deixo que me vejas a alma.
Se te desprezo, se te odeio....
terás que me tirar o Sombrero e olhar-me na alma....
A pergunta é simples, é banal, pode ser mesmo um cliché:
saberá a tua alma reconhecer a minha???



Pedras Preciosas


— Uma ametista oriunda do céu,
reluz, tal qual o reflexo do mar;
trouxe-me paz! Pus-me a sonhar...
... E na alvorada, comecei cantar!


A safira reflete o azul do céu,
cintilante transporta-se para o mar;
um azul que me dá asas pra voar...
... mergulho n´alma... - uma emoção sem par!


Esmeralda, doce verde de Deus;
Incrível!... — teu brilho me prendeu...
Morro em todos os seus flancos.


Brilhante! — A rainha com sua plumagem
fascinam meus olhos, - uma miragem -,
vejo a princesa nua com asas de Anjo!...

 

Diamante Bruto





Acalmando a febre que devora
Calando a boca por um doce beijo
Sigo errante vida afora
Em busca do sonho que desejo


Pedras encontro em meu caminhar
Flores eu colho, reconheço espinhos
Tudo na vida vale amar
Semeando a beleza, mesmo que sozinhos


Hoje plantar a semente
Para amanhã colher o fruto
A vida é, para quem sente,
Como lapidar um diamante bruto
 

Noites Intermináveis


Noites Intermináveis


Todos os dias dos grandes amores!
Na fonte, na alma, no frasco contido
Que lança no ar o olor florido:
...Diamantes lapidados!... Arcos... Cores...

Ouviram belos sons nos bastidores;
Foram noites e noites de alaridos!...
Havia, na alcova: — corpos inibidos!...
Das almas, como reles caçadores...

De tanto amor na escuridão,
Amantes: — Sedentos de paixão;
Seguem compassos, ambos silentes!...

Amanhece!... Inda há beijos de prazer,
Haverá outro clima ao anoitecer;
Esperam as loucuras!... Mais quentes!...

Sobre as virtudes de amar




A máscara do desespero
recobre o rosto cansado
Rugas marcam a pele madura
no rosto um sorriso amarelado pelo tempo

Tudo o que esconde o tempo
Desde a fruta que nunca amadurece
Ao assoviar do vento na cumieira
Saltam deste ponto à eterna colheita

Jardineiros em nossos jardins de sonho
splantamos ideais de esperança
a colheita nem sempre é farta
as pragas devoram-na...

Ontem escrevemos um poema
Ele falava de linhas avulsas
Nunca escritas em sobressalto
 Apenas um latente atestado de existir

O poema tem vida própria
domá-lo por vezes se torna necessário
pois como cavalo selvagem
escapa de nossas mãos e se liberta

Cavalgamos até o Verão
E com ele a angústia de saber
Que os felizes nunca herdarão
O mundo prometido como infindável

Cavalguemos apesar do rumo incerto
Por vezes segurando firme as rédeas da paixão
O amor deve controlá-la e dar-lhe o equilíbrio
Paixão arde e queima
pode incendiar florestas
O amor é mais sábio
e sabe quando aparar as arestas

Porquanto as virtudes no céu são muitas
A aragem une partículas de vapor amiúde
Leva-as de cá para lá, e no caminho de volta
Tudo em uníssono se entrega à terra,
com amor
Com quietude, com determinação, cria-se a chuva

E o jardim umidecido pela gotas da chuva a cair
volta a floresecer em belas cores e aromas
Com o amor a cuidar zelozamente  das pragas que destroem
A harmonia da natureza se restabelecerá em paz.

 

Almas Submersas


Pelo crescente fluído
desta água
pressinto a fuga
o deitar...
destas correntes de rio cansado...
acordadas por açoites de Mar...
Nesse mar bravio
tragada pelas ondas a alma se perde...
num profundo mergulho
como um escafandrista
em busca de si mesmo
no ocaso submerso
de uma estrelano reflexo
abaixo do infinito
nas profundezas do oceano
a alma busca libertar-se
das amarras que a mantêm
ancorada no cais
correntes demasiado profundas
lamas carinhosas
percorrem a beleza
do espírito sem corpo
percorrem algas curiosas
que tocam sem licença
as carícias da certeza...
E num profundo deleite
a alma submersa
entrega-se aos braços do mar
aos mistérios revelados
em ventres de oceano
traz luz em escaldante areia
trono de Zeus que a tudo assiste… 

O AMOR QUE FERE
O amor deita no peito
faz nascer medo, anseio
descortina o Mundo
sujeito a dar defeito
agora não tem mais jeito
a tempestade inunda
toma conta
atiça, afronta
desmorona o Muro
cadê teus olhos nessa pele virgem
guardada imaculada, imantada
no veneno que me faz viver
o desejo que te sonha, busca
trepida enclausurado
nos versos adúlteros
que me joga na cara
cospe no véu
despe a fome que tenho de ti.
O Anjo Vingador também é traiçoeiro
Ama tão somente como os poetas amam:
Ele só ama o Amor
E o desespero de jamais encontrá-lo com vida.

Segredos de Amor




E se da dor
fez-se o espanto
da tristeza
fez-se o pranto
coração aprisionado
encarcerado em si
medo de amar
Chama que arde
queima e invade
amor...
sublime amor

sina que arde
em tristeza
até ao meu limite...
onde sou derrotado
por um simples par
de lábios vermelhos
com aroma
de Afrodite...

Amor que entontece
num simples beijo
e depois o desejo
de unir nossas almas
numa só e única
Mas a entrega
esmorece
no anseio do encontro
perdemos o rumo
desatamos o ponto
aqui...

onde aprendemos a submissão
do sentimento
a sussurros sazonais
que nos soam a música
florescida em mistério...
pois que de mistério
é feito o amor
surpresas e revelações
pontes para o infinito
interrogações
murmúrios
e gritos...

de estrelas caídas
em extravagância...
extasiado,
só peço que me leves lá
a esse jardim proibido...

 

TEMPO VENTO




Sou do tempo em que o tempo não corria,
passava.
Em que infância era sinônimo de brincar,
não trabalhar.
A natureza era um bem intocável,
sagrado.
Trabalhar era parte da vida, não
o contrário.
Sou do tempo que se acreditava em
final feliz.
Correr na chuva não fazia mal.
Andar de mãos dadas com amiga,
normal.
Namoro era ao vivo, não
virtual.
Sou de um tempo que família era
porto seguro, não hotel.
Era elegante usar chapéu
Dar flores, usual.
Tragédia só se via em jornal.
Dar bom dia não era anormal.
Queria morar nesse tempo
viver cada momento
Sem precisar pensar
no que não entendo.
Escrevo o relógio
que invento.

Oportunidade

Foto de Regina Bentes

Eu não tinha para onde correr, por mais que a ideia me agradasse. Presa numa armadilha engenhosa da mente, dessas que se disfarçam de “coisa do destino” e são capazes de convencer distraídos e incautos de que são meras coincidências, não me restou outra alternativa senão dar de cara com a tal dor antiquíssima. Numa outra circunstância, a mesma frequência, a mesma substância. De repente, quando me dei conta, éramos somente eu, ela e seus filhotes naquele trecho de mata cerrada da alma quando a alma não se importa nem um pouco de acender seu breu.

Estava quieta há tantas viradas de calendário, tecendo dramas em silêncio, procriando sem fazer ruído, que eu jurava já fazer parte do meu museu de superações. Que nada. Lá estava ela, olhos agudos esparramados nos meus sem constrangimento, fresca como se tivesse acabado de ser colhida do pé. Vívida como a estrela mais nítida no escuro mais silente da noite. Lá estava ela, engasgada na sombra à espera de olhar. À espera de abraço. À espera da chance de falar. À espera de luz.
Ali, presa fácil para o suposto inimigo, as defesas ludibriadas com requinte, num primeiro momento eu olhei para ela com um enfado absurdo, uma irritação rara, paciência zero.

“Você, ainda?”
“Ainda.”
“Não cansa, não?”
“Não posso, até que você se canse e, de uma vez por todas, escolha me olhar com o amor capaz de me ouvir e de me curar.”

Num segundo momento, cansadíssima, eu a acolhi e deixei ela falar suas queixas todas até realmente começar a escutá-la. Eu a abracei com a empatia, o respeito, o afeto, com os quais a gente abraça um amado profundamente ferido. Eu nem sabia ainda como poderíamos, juntas, mudar o rumo da história, e se saberíamos, mas, ali, eu escolhi me empenhar. Escolhi assumir a minha responsabilidade terna por nós duas. Escolhi aproveitar a oportunidade oferecida pela mais nova armadilha engenhosa da mente, disfarçada de “coisa do destino”, outra circunstância, a mesma frequência, a mesma substância.

Ali, eu escolhi, pela primeira vez, talvez de uma vez por todas, olhá-la com amor até a gente conseguir se curar e ser capaz de semear circunstâncias mais felizes, outra frequência, outra substância. Outra, bem-vinda, colheita. Depois daquele inverno tão sisudo, quem sabe, a vez do cheiro de flor quando ri da primavera.

 

 Ela é Única

Se um dia o mundo acabar com todas as flores do meu jardim,
O que ele, o mundo, ainda não sabe
É que eu te protegerei com todas as minhas forças,
Só pra ter sempre o seu perfume,
A maciez das suas pétalas,
E a delicadeza das cores do seu olhar,
E seus espinhos,
Tenha a certeza,
Só eu deles, saberei cuidar,
Eu cuidarei desse seu jardim
Desse nosso jardim
Como cuido desse coração
Que mora dentro de mim
E espera que um dia
Quem sabe numa nova estação
Ele entende de volta o amor
E nessa nova paz
Ele encontre apenas a sua cor
Desde que você me prometa
Juntar a sua solidão a minha
O seu beijo ao meu
E inventarmos um novo sabor
O sabor de saber que sob o mesmo céu
Em cima do mesmo chão
Moro eu
Mora você
E um dia no mesmo caminho
Estará o seu e o meu coração
Fazendo festa no mundo
E alimentando de um só carinho
Pois eu abro minha janela e descubro
Ela é única, a flor
Você é única, amor.

AMOR DE OUTUBRO


meu único e dedicado amor
sou pouco mais que meio-dia
você sol inteiro que me aquece
um dia inteiro de luminosidades
que brilha, envolve e entontece.

você lua clara no céu a brilhar
convite a doces sonhos
ilumina minhas noites escuras
e me entrego a ti , em abandono

tantos pecados sublinhados
em castiçais de ardente fulgor
seus braços abertos são asas
para um pouso mais que seguro
onde o teu riso a tudo abraça

seu amor me dá asas
e flutuo acima das nuvens
enquanto você me abraça
envolvida em terno amor
me sinto pássaro livre

como é formosa a minha amada
ah, se nosso apartamento falasse
muita poesia em paredes loucas
em seus lábios, noivinha delicada
busquei mel, e com gula me fartei

em nosso leito de amor
em lençóis de pura seda
prazeres de amor me convidam
num misto de candura e desejosa
 ser sua inteira e plena

você, tão especial, tão feminina
sua branca flor, seu deleite sem fim
em mim fez festa de fim de inverno
derreteu geleiras, criou um oásis
você, enfim, aceite de eternidades

você, meu homem-menino
de pele morena  e braços fortes
trouxe à minha vida a doçura
tratando  minhas feridas
trazendo no amor a cura

antes que o mundo nos revelasse
desde esconderijo de rochas ígneas 
onde vivemos uma ternura irreal
no conforto de maçãs pecadoras
em mundos dourados por belos sóis 

em arco-íris percorremos
caminhos de sonho e luz
onde anjos tocam harpas
e Krishna nos abençoa
num amor acima do terreno

amo tua inteireza, tua pele de seda
sua boca com o beijo mais doce
sua entrega, seu calor em mim
a exigência de que sejamos felizes
por uma felicidade assim, festejemos!  
É urgente
E tempo
É o que nós não temos.
Somos um segundo
No universo da existência.
Uma luz fugaz
Nesse buraco negro
Onde tudo termina.
Por tudo isto
É urgente
Que as palavras
Se tornem carne.
E a carne
Se torne prazer.


Bravo


Não fales do tempo que resta...
Fala-me de ti...
Sabe de mim...
Beija-me, ama-me, deseja-me....
Não quero estar presa aos ponteiros do relógio; não se quero se tens apenas 10 minutos...
Quero memorizar todos os detalhes desses 10 minutos...
E saborear cada beijo, cada carícia, cada gemido 100 vezes a multiplicar por milhões e milhões de minutos...


Marta


Minha Urgência

Urgente em mim
É um ser demente
Que fingi existência
Pois isso é resistência
Ao que não alcança
E faz em si falência
Perde a luz e esperança
Deixa passar uma ausência
Do esperado o ser alado
Anjo delgado cheio de curvas
E que nas nuvens tem olhar
Para eu aqui voltar ao prazer
De viver com a esperança
E saber que um dia se alcança
Mas na urgência vem a demência
E eu fico sem audiência

 

Que aprendi eu

Pintura:Yeda Arouche

Que aprendi eu
-
Aprendi tudo o que do nada se faz grande
-
Deixei cair ferramentas
aos saberes a mim os moldei
na helicoidade temporal em que se fundem
-
Declinei títulos e graus honoríficos
a burocracia que impera
e não deixa ver
-
Canto e não canto
toco e nada toco
sei e nada sei
choro o que deixei
-
Pouco ou nada sou
na papelada que esqueci
nem cito
o que não vi
-
Que serei eu no que aprendi
-
Sou
-
Sou o que se vê
e cresce
neste lugar
-
Sou
o que do nada eu escrevi
e escrevo
e canto
e toco envolto em manto
-
Sou ou não sou
dizei-me em vosso espanto
-
Se não sou
o que é que é isto

 

 

Asas do meu pensamento

Pintura de John Singer Sargent


Nas asas do meu pensamento,
Levito,
Procuro no ser espelhado de cada um,
O que me transforma e me alimenta,
Voo na direcção do que me complementa,
Conheço o desconhecido que me atrai,
Suspiro por um qualquer momento que divago,
Aspiro sentimento em tudo o que encontro.

Ave rara essa que voa sem rumo,
Rumo talvez encontrado,
Num qualquer momento que me apazigua,

Ave que pinta,
Que paira nas nuvens que encontra,
Que se delicia no vazio que preenche.

Indomável ser,
Que sou,
Que encontro no sonho,
A razão da existência,
E que na porta entreaberta,
Procuro um qualquer ser humano,
Rico no pensar,
Rico no sentir.
Rico em tudo o que abriga.

 

 

Criança eterna…

Imagem autor desconhecido (Google)

Vi nos voos dos pássaros
O entardecer escapar-se por entre
Os traços verdes do arvoredo.
Sob os olhos do anoitecer uma alma
Amparada no florir de um beijo
Em instantes de sol e doçura;
Um coração a sangrar por nada ter
Para dar e tudo perder e um homem
Que toda a sua riqueza consigo transporta.

E vi sombras de fogo num peito,
Uma alegria descontente em horas
Que são minutos quando dois corpos
Em seu leito se enamoram; e vi bolsos
De mar e de luz no desassossego
E em tudo vi a criança eterna…
Vi-me a mim.

 

360 graus de poesia

Pintura de Salvador Dali

Não posso escrever poemas apenas com poesia. Poesia são sonos que vou dormir com o tempo que me resta até ser hoje. É poesia chegar ao fim do copo às vezes sem beber uma única palavra. Acrescentar mais uma hora à eternidade e entornar à tona da tua boca todos os desejos que sorvo quando não escrevo por ser de silêncio o tempo que te basta para ser feliz. São poesia corpos de água que peço ao céu para te embriagar com doses de esquecimento. São poesia sons que me ensurdecem pela garganta abaixo. Arcos de quem flecha uma janela no meio dum coração em pé de aços. Aguarelas de chuva que se fazem eco caindo em catadupa de duas gotas.

São poesia dardos em direcção ao oeste este incêndio à flor da pele este barco estes remos contra a maré estas asas este voo enevoado estes dedos de beliscar as estrelas depois das palavras. São poesia céus para voar transformados em obstáculo. Pontos cardeais que não chegam a nenhum poente. Caminhos de andar desnorteado entre o norte e o luar. Enxadas que descascam a paisagem. Sinais de fumo que nos atravessam em procissão poesia as fracturas de luz e traços de alegria e cores de azul. São de prosa as rosas do vento que nos revela até onde é infinito o sono que vamos levando aos poucos.

São de prosa.

A cama electrodoméstico de fazer metáforas quando a noite se enche de alma. A bússola que não me cura deste jeito imundo de apedrejar as palavras. O almoço que fica mais pequeno quando retiro metade para servir de jantar. O lavatório sujo de manhãs por esfregar. O pão duro matinal fora do alcance dos dentes. Os cigarros que perfumo como incenso. Doesse tudo isso como uma imperceptível bofetada de amor inscrita na face. Sou eu beijo ou inspiração boca a boca ao último verso. És tu a enlouquecer pouco a pouco horas acrescentadas no colo da eternidade. Somos nós corpo a corpo salpicados com um tiro de imaginação em papel de embrulhar sonhos.

Não posso escrever poemas apenas com poesia. Um dia não se cura de uma ferida para a outra e apenas saudade não basta para te esconder da minha ausência.

 

 

ASAS

Imagem de Fabio Pallozzo

Quando chegava o Verão
Sentavas-te
À tardinha
Debaixo da figueira
Onde a brisa
Suave
Anunciava
O rumor das cotovias
Então pegavas
Delicada
Na minha mão
E contavas
Baixinho
Era uma vez um potrinho
Que adormecia
Feliz
A ouvir
As histórias do vento...
Sentia-te perto
E o tempo
Adormecido
No cantar do ribeiro
Parava
Enlevado
Para nos ver
Assim eram os dias
No tranquilo Paraíso
Em que desenhavas
Minuciosa
O crescer das minhas asas
E eu sentia
Maravilhado
O vigor do teu voar.

ausência

Imagem de Marta Dahig

À sombra da tua ausência
Repouso os meus olhos
Fechados, inertes
Vagueiam por mim
Procurando destroços
Em que despertes,
De repente…

Sei-te ausente,
- Mesmo…
Sei que não posso
esperar-te
- De todo…
Mas este vício
De aguardar-te
Prende-me como lama,
Lodo
Atrofiante, espesso…

E como nódoa
Entranhada
Permaneces como gesso
Colado à parede
Do meu afecto
Qual vinagre
Na minha sede
Qual erro
De tudo
Quanto em mim
Está certo…

 

... poema de amar

Fotografia de Alexander Flemming

gostava de fazer-te um poema de amar,
fazer um poema para te amar,
de fazer um poema ao amar-te.

porquê amar, amar-te a ti?
porque me amo mais por amar-te,
porque nos amo aos dois?
sim e não,
sim porque amar, é amar-te a ti.
não porque amar-te, não é amar.

porquê perguntar, perguntar-te a ti
e não a mim mesma?
sim e não, pergunto-te?
ontem sim, hoje não,
amanhã talvez?
talvez não ontem, como hoje
e talvez não amanhã.

mas amo amar-te,
e amava puder amar-te mais.

gostei de fazer-te um poema de amar,
fazer um poema para te amar,
um poema ao amar-te.
e ao amar-te, fiz um poema de amar.

 

Vida

Pintura de Bernardus Johannes Blommers

"Capitão no seu posto"
Fez-se ao mar o marinheiro...
Ondinha vai, ondinha vem
O barco avança, vai mais além.

Lançou as redes o marinheiro,
Veio cardume bom e inteiro,
Peixe sadio e variado,
Mas, marinheiro, fardo pesado!
Ondinha vai, ondinha vem,
O barco avança, vai mais além.

Há vagas altas,
Há sobressaltos,
O barco balança,
Mas logo serena
Com a bonança,
Ondinha vai, ondinha vem,
O barco avança, vai mais além.

Não se desvia da sua rota.
Há muito mar para navegar,
Há muito peixe para colher,
Há horizontes por desvendar,
Há sol ao longe por descobrir,
Há onda e onda por florir...
Ondinha vai, ondinha vem
O barco avança, vai mais além.

SABEDORIA




Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.

Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.

Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar.
E venha a morte quando Deus quiser.

Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.

 

 

AO AMOR ANTIGO


O amor antigo vive de si mesmo,
Não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
Mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
Feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
E por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
Aquilo que foi grande e deslumbrante,
O antigo amor, porém, nunca fenece
E a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
E resplandece no seu canto obscuro,
Tanto mais velho quanto mais amor.

 

 

SEPTENTRIONAL



Talvez já te esquecesses, ó bonina,
Que viveste no campo só commigo,
Que te osculei a bocca purpurina,
E que fui o teu sol e o teu abrigo.

Que fugiste commigo da Babel,
Mulher como não ha nem na Circassia,
Que bebemos, nós dois, do mesmo fel,
E regámos com prantos uma acacia.

Talvez já te não lembres com desgosto
D'aquellas brancas noites de mysterio,
Em que a lua sorria no teu rosto
E nas lages que estão no cemiterio.

Quando, á brisa outoniça, como um manto,
Os teus cabellos d'ambar desmanchados,
Se prendiam nas folhas d'um acantho,
Ou nos bicos agrestes dos silvados,

E eu ia desprendel-os, como um pagem
Que a cauda solevasse aos teus vestidos;
E ouvia murmurar á doce aragem
Uns delirios d'amor, entristecidos;

Quando eu via, invejoso, mas sem queixas,
Pousarem borbeletas doudejantes
Nas tuas formosissimas madeixas,
D'aquellas côr das messes lourejantes,

E no pomar, nós dois, hombro com hombro,
Caminhavamos sós e de mãos dadas,
Beijando os nossos rostos sem assombro,
E colorindo as faces desbotadas;

Quando ao nascer d'aurora, unidos ambos
N'um amor grande como um mar sem praias,
Ouviamos os meigos dithyrambos,
Que os rouxinoes teciam nas olaias,

E, afastados da aldeia e dos casaes,
Eu comtigo, abraçado como as heras,
Escondidos nas ondas dos trigaes,
Devolvia-te os beijos que me déras;

Quando, se havia lama no caminho,
Eu te levava ao collo sobre a greda,
E o teu corpo nevado como o arminho
Pesava menos que um papel de sêda...

E foste sepultar-te, ó seraphim,
No claustro das Fieis emparedadas,
Escondeste o teu rosto de marfim
No véu negro das freiras resignadas.

E eu passo, tão calado como a Morte,
N'esta velha cidade tão sombria,
Chorando afflictamente a minha sorte
E prelibando o calix da agonia.

E, tristissima Helena, com verdade,
Se podéra na terra achar supplicios,
Eu tambem me faria gordo frade
E cobriria a carne de cilicios.

 

A ÚNICA RESPOSTA


Jantáramos os dois pela primeira vez:
amizade ou amor, pouco interessava
desde que ali estivesses. O meu mundo
ia mudando à medida do teu,
a cada gesto vão da vã conversa
antes que fôssemos plo Bairro Alto
e enfim o Lumiar, a tua casa.

Eu podia contar uma história, dizer
como aquele rosto atravessava o meu -mas não,
«nada de narrativas, nunca mais».
Apenas a certeza de estar morto
há tanto tempo, que já não me lembro
de cor nenhuma dos teus olhos. Não,
já não existe o dia nem a noite
e este silêncio deve ser talvez
a única resposta. É bem melhor
ficar à espera de que não regresses.

 

PASSEMOS, TU E EU, DEVAGARINHO


Passemos, tu e eu, devagarinho,
Sem ruído, sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
A pisemos sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações, num torvelinho
De folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber o precioso vinho,
A rara embriaguez deste momento.

E se a tarde vier, deixá-la vir...
E se a noite quiser, pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas...

De costas para o Sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas.

 

 

MADRUGADA


Ah! Este poema das madrugadas,
que há tanto tempo enrodilhado
num sem-fim de estados de alma
me obcecava, tirânico,
sem se deixar fixar! ...

Madrugada... e esta solidão crescendo,
esta nostalgia maior, e maior, e maior,
de não se sabe o quê
— nunca se sabe o quê...
que haverá nestas horas sozinhas e geladas,
para assim trazer à tona as indefinidas mágoas,
as saudades e as ânsias sem motivo
— de que não sabemos o motivo?...

Vieram as saudades do tempo de menino
— ou dum paraíso lá não sei onde?
Ah! que fantasmas pesaram sobre os ombros,
que sombras desceram sobre os olhos,
que tristeza maior fez maior o silêncio?
A que vem esse calor distante e absorto,
esse calar, esses modos distraídos?
Meu pobre sonhador! a esta hora
porventura se desvenda a Suprema Inutilidade?
e a definitiva ilusão de tantos gestos?

Interroga, interroga...
vai sonhando,
sem que saibas sequer o caminho que segues
vai, distraído e pensativo,
alheio de hoje,
vivendo já o derradeiro segundo...

Que a madrugada tem o pungir das agonias,
mas alheio, como o fim dum pesadelo...

 

 

QUANDO SURGES NA NOITE ...

Quando surges na noite, quando avanças
porque o som do batuque por ti chama,
teu corpo negro é chama que me inflama,
quando surges na noite, quando danças...

Quando danças, cantando as esperanças
e os desesperos todos de quem ama,
teu corpo negro é fogo que derrama
febre nas almas que repousam mansas.

Tu vens dançando (tudo em mim se agita)
e vens cantando (tudo em mim já grita),
quando surges em noite de queimada...

Depois, somos os dois, no mesmo abraço,
num batuque só nosso, num compasso
mais febril do que toda a batucada !